Abuso

Após abuso, meninas recebem ajuda em albergue para grávidas no Paraguai

Casa de amparo para menores grávidas localizada em Assunção, funciona como uma espécie de “escola para mães” no Paraguai.

  • mas infoACOMPAÑA CRÓNICA: PARAGUAY ABUSO. ASU04. ASUNCIÓN (PARAGUAY), 15/05/2015.- Niñas comparten en el Albergue Rosa María este miércoles, 13 de mayo de 2015, de Asunción (Paraguay). El albergue Rosa María, una casa de acogida para menores embarazadas ubicada en Asunción, funciona como una especie de "escuela para madres" en Paraguay, país donde cerca de 700 niñas de 10 a 14 años, y más de 20.000 adolescentes de entre 15 y 19 años, dieron a luz en 2014, según el Ministerio de Salud. EFE/Andrés CristaldoEFE/Andrés CristaldoEFE/Andrés Cristaldo
EFE/Andrés Cristaldo

O albergue Rosa María, uma casa de amparo para menores grávidas localizada em Assunção, funciona como uma espécie de “escola para mães” no Paraguai, país onde cerca de 700 meninas de 10 a 14 anos e mais de 20 mil adolescentes de 15 a 19 anos deram à luz em 2014, segundo o Ministério da Saúde.

Os números repercutiram em peso recentemente, após o caso de uma menina de 10 anos grávida de cinco meses por um suposto estupro do padrasto, que está preso.

Para atender as menores grávidas, o centro Rosa María, dependente de uma paróquia que é mantida graças ao trabalho dos voluntários e doações, foi inaugurado em 2002, e desde então presenciou o nascemento de aproximadamente 200 bebês.

Sentadas ao redor de uma mesa, as nove meninas que agora vivem no local parecem adolescentes em uma excursão de colégio, a não ser pelos bebês carregados no colo e que as chamam de “mamãe”.

No albergue, os ginecologistas explicam às meninas como alimentar e cuidar do futuro bebê. Posteriormente, os pediatras contam como banhar e como ajudar as crianças a crescer.

A caçula do grupo de mães é Blásida, nascida na cidade de Villarrica, no centro do Paraguai, que aos 12 anos amamenta um bebê de nove meses, que parece grande demais para ser cuidado apenas por ela, por isso conta com a ajuda de especialistas.

Carol, de 17 anos, teve o filho Cristian há apenas dois meses e diz que a parte mais difícil foi deixar a cidade natal de San Lorenzo, na periferia de Assunção, porque precisou se despedir de “muita gente que gostava”.

Com a mesma idade, Limpia, do departamento de San Pedro, uma das zonas rurais mais pobres do país, teve Sara há três anos e lembra que chegou ao abrigo acompanhada pela promotoria paraguaia.

É a promotoria que intervém em casos de estupro ou maus-tratos e encaminha às jovens gestantes ao centro, que não recebe nenhum tipo de subsídio estatal, segundo disse à Agência Efe a representante do albergue, Cilsa Vera.

Vera explicou que outras meninas chegaram ao centro após serem expulsas de suas casas por engravidarem, mas muitas foram vítimas de abusos sexuais, frequentemente por parte de seus parentes.

Também há jovens que “foram prostituídas por pais que eram viciados em álcool ou outras drogas”, contou a representante do centro.

Em todos os casos, as meninas são acolhidas “desamparadas, assustadas, envergonhadas, perdidas, sem nem sequer uma peça de roupa para elas ou para os bebês”, disse Vera.

O fator comum em todas é que “vêm de camadas sociais muito baixas, com poucos recursos econômicos e pouco acesso a educação”, comentou Óscar Ávila, outro dos encarregados pela instituição.

Além de dar atendimento médico, apoio, acompanhamento psicológico e uma formação religiosa católica, os voluntários do centro se encarregam de capacitar as mães em diferentes ofícios para que possam ganhar a vida quando deixarem o local.

“Há pouco terminamos um curso de secretariado executivo, e também estamos aprendendo muito de culinária. No fim do ano, preparamos 1,2 mil doces para vender aos bancos”, lembrou Nilda, de 20 anos, a mais velha entre as jovens mães que vivem do centro.

Nascida no departamento de San Pedro, Nilda está há quase quatro anos na casa, desde que chegou grávida do pequeno Oscar, agora com três anos. A jovem afirmou que gostaria de continuar estudando para se transformar em gastronomia, mas admitiu que também tem interesse em psicologia.

“Eu já trabalho um pouco como psicóloga aqui, com as meninas”, brincou.

Para Nilda, entrar no centro serviu para “se capacitar para sair e lutar com a criança nos braços”.

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