ALIMENTAÇÃO

Adaptabilidade é a herança mais importante da dieta brasileira, dizem estudiosos

A dieta brasileira foi discutida por especialistas no 14ª Congresso Nacional da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN)

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São Paulo, 31 ago (EFE).- Multicultural, a gastronomia brasileira herdada pelos índios, portugueses e escravos de diversos países, na qual milho e farinha convivem com especiarias e demonstram a adaptabilidade das dietas, é marcada por experiências de afeto que constroem a memória nacional da comida, tema destacado por pesquisadores durante um congresso em São Paulo.

“Nada mais antigo que a memória alimentar, e tudo isso vem associado ao afeto, por isso que dizem que a última coisa que o imigrante perde quando vai embora é a memória degustativa”, comentou o sociólogo Ricardo Maranhão, no último dia do 14ª Congresso Nacional da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN).

Maranhão afirma que marcas identitárias e tradições regionais estão presentes no cardápio do trabalhador, sendo algumas dietas reformuladas pela presença de culturas migrantes e outras mais conservadoras, como a da Região Norte, focada em uma culinária típica indígena.

“Nenhum lugar do mundo tem uma culinária que nasceu das marcantes diferenças regionais como no Brasil. A comida brasileira ainda está numa fase pueril da formação de uma culinária nacional, mas felizmente já comemos vatapá no Brasil inteiro”, argumentou.

Segundo Maranhão, a definição de comida brasileira depende da mistura da cultura alimentar africana, que trouxe o dendê e especiarias à mesa do brasileiro até hoje, além da influência portuguesa, o que define a memória degustatia gastronomia no Brasil depende de uma facilidade para se adaptar a culinárias estrangeiras e regionaisva nacional.

“A cozinha brasileira tem uma adaptabilidade cultural. Todo mundo que veio morar no Brasil, trouxe alguma coisa e o brasileiro passa a esquecer que alguns alimentos que come habitualmente é de origem estrangeira”, reforçou.

O antropólogo Roberto Damatta também acredita que a gastronomia no Brasil depende de uma facilidade para se adaptar a culinárias estrangeiras e regionais, encontrada na dieta diária da população, que vive uma relação afetiva com a alimentação.

“No Brasil, nós obsequiamos as pessoas com comida, que tem um lado espiritual e físico, onde o compartilhamento do alimento é fundamental na criação da solidariedade”, destacou.

Para Damatta, a comida é um reflexo do gosto de grupos e a comida regional é uma forma de conhecer lugares. “A comida amazonense me fez conhecer Manaus mesmo sem ter ido para lá”, lembrou.

Pensando na diversificação, a nutricionista Márcia Terra ressaltou que o maior desafio da saúde alimentar é aproveitar a diversidade gastronômica.

“Devemos ser diversificados nos hábitos alimentares, pois nossos genes agradecem. Dieta é modo de vida e deve ser vista como agregamento, e não restrição”, enfatizou.

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Publicado em Nutrição

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