Cúpula Mundial de Hepatites

52 milhões de crianças vivem hoje com hepatites virais

Estima-se que 325 milhões de pessoas viviam com hepatites virais em 2016. Deste total, 4 milhões eram crianças infectadas pela hepatite C e 48 milhões, crianças infectadas pela hepatite B.

  • EFE/Christian BrunEFE/Christian Brun
  • *A tabela mostra os 21 países que apresentam cerca de 80% das infecções pediátricas por hepatite C.
EFE/Christian Brun

Novos dados apresentados na Cúpula Mundial de Hepatites em São Paulo (1-3 de novembro) revelam que 52 milhões de crianças vivem hoje com hepatites virais em todo o mundo – em comparação com 2,1 milhões de crianças vivendo com HIV/aids.

Estima-se que, globalmente, 325 milhões de pessoas viviam com hepatites virais em 2016. Deste total, 4 milhões eram crianças infectadas pela hepatite C (menores de 19 anos), e 48 milhões crianças infectadas pela hepatite B (menores de 18 anos), de acordo com novos dados da Center for Disease Analysis (CDA) Foundation. Ambos os vírus podem levar a doenças do fígado, a câncer de fígado e ao óbito.

As crianças estão sofrendo uma enorme carga de hepatites virais em todo o mundo – e as implicações de saúde pública são enormes”, diz Raquel Peck, CEO da Aliança Mundial contra as Hepatites (World Hepatitis Alliance/WHA). “A maioria dos bebês e crianças infectadas não são diagnosticados, priorizados ou tratados efetivamente”, acrescenta.

De acordo com uma nova pesquisa sobre a hepatite C em crianças, conduzida por Manal El-Sayed, professor de pediatria da Universidade Ain Shams do Cairo, no Egito, e pelo Dr. Homie Razavi e sua equipe do Observatório Polaris, Center for Disease Analysis (CDA) Foundation (Fundação CDA) de Lafayette, nos EUA, 21 países* são responsáveis por cerca de 80% das infecções pediátricas por hepatite C, sendo as maiores taxas de prevalência geralmente encontradas em países em desenvolvimento.

A transmissão vertical é uma das principais causas de hepatite C em crianças. No entanto, nem gestantes nem crianças pequenas podem ser tratadas com os medicamentos antivirais de ação direta (AADs). Várias agências reguladoras – como a FDA dos EUA e a Agência Europeia de Medicamentos – recentemente aprovaram os AADs para uso em crianças de 12 anos e mais. Em países de alta renda, no entanto, há ainda poucas evidências de que eles estão sendo usados nessa faixa etária. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também ainda não recomendou os AADs para crianças, independentemente da idade.

Consequentemente, quase todas as crianças são tratadas apenas com esquemas mais antigos que, muitas vezes, implicam efeitos colaterais graves como retardo no crescimento, sintomas semelhantes à influenza, anemia e perda de peso. Além disso, esses esquemas nem semprem curam o vírus. Os ensaios de medicamentos AAD em crianças menores de 12 anos também estão em andamento, mas ainda não foram aprovados em nenhum país para crianças mais novas.

Atualmente, 4 milhões de crianças vivem com hepatite C – que pode ser curada – e 48 milhões com hepatite B, para a qual há uma vacina”, disse Charles Gore, presidente da WHA. “Os governos e as organizações mundiais de saúde devem garantir que todas as crianças sejam vacinadas contra a hepatite B e tratadas com AADs para a hepatite C, e que todas as mulheres grávidas sejam testadas”, completou.

Em comparação com a hepatite C, as novas infecções por hepatite B em crianças estão em declínio – de aproximadamente 4,7% de prevalência, na era pré-vacinação do início da década de 1980, para 1,3%, devido aos esforços ampliados para prevenir a transmissão vertical e à cobertura global com as três doses da vacina contra a hepatite B. Atualmente, 84% dos países oferecem a imunização contra a hepatite B. No entanto, a cobertura com a dose inicial de vacinação necessária para proteger os recém-nascidos ainda é baixa: 39%.

Os casos de hepatite C em crianças tendem a continuar crescendo nos próximos anos, diante da falta de programas de prevenção e controle para gestantes vivendo com hepatite C e para mulheres em idade fértil. A situação é agravada pela ausência de uma abordagem de saúde pública para a definição de casos e manejo de gestantes ou crianças.

Devemos agir e tratar o máximo de crianças possível; o benefício econômico e social do tratamento precoce da hepatite C em crianças é substancial”, explicou o professor El-Sayed. “Para tanto, deve-se evitar a progressão da doença, removendo o estigma social, melhorando o desempenho escolar e reduzindo a fadiga. Porém, o princípio fundamental é evitar a transmissão, adotando a ‘cura como prevenção’ em uma idade precoce, antes de surgirem comportamentos de alto risco que permitam a transmissão”, disse.

As crianças são o futuro”, concluiu Raquel Peck. “É imperativo entendermos isso desde o início, oferecendo a elas o melhor começo de vida possível. Sem eliminar as hepatites virais entre as crianças, a eliminação da doença será impossível”.

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