Endometriose

Endometriose, a doença da mulher moderna

Deslocamento do endométrio, que afeta 6 milhões de brasileiras, pode causar esterilidade e cólicas intensas

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EFE/Javier Lopez

As cólicas e dores no corpo que sofrem boa parte das mulheres durante o período menstrual podem não ser simplesmente reflexos naturais do ciclo reprodutivo. Neste Dia Nacional de Combate à Endometriose (8), o alerta é para que as mulheres se atentem aos sinais do seu corpo que podem indicar o problema da endometriose.

Conhecida como a “doença da mulher moderna“, a endometriose caracteriza-se pela presença do endométrio, tecido que reveste o útero e fixa o embrião, fora do próprio órgão. A enfermidade, em geral, é relacionada a mulher da última década pelas questões de excesso de trabalho no convívio da sociedade contemporânea, o que pode causar a famosa falta de tempo para cuidar do próprio corpo e de perceber indícios da enfermidade.

Segundo dados da Associação Brasileira de Endometriose (ABEND), a doença acomete cerca de seis milhões de brasileiras, o que equivale a aproximadamente 15% da população feminina em fase reprodutiva. Dessas, 30% tem chance de ficarem estéreis.

A endometriose não possui causas fixas e unânimes, contudo, a mais aceita pela comunidade médica é a da menstruação retrógrada.

“Na maioria das mulheres, o fluxo menstrual não sai apenas pela vagina, mas também pelas trompas, para dentro do corpo, como na barriga, nos ovários e na bexiga”, explica o médico Ivan Penna, especialista em reprodução humana e professor de medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF).

A partir desse fluxo interno, o tecido fixa-se em locais onde não deveria, havendo uma mudança em sua estrutura, após a cicatrização. Desse modo, as mulheres passam a menstruar todos os meses nessas regiões do corpo, o que aumenta e repete o transtorno, causando a endometriose.

Problemas

A endometriose causa diversos malefícios, como a obstrução intestinal e a diminuição da capacidade da bexiga, podendo culminar na esterilidade. Porém, o que mais aflige as mulheres com a doença são as dores que ela provoca.

“As cólicas e dores das mulheres com endometriose, durante a menstruação, chegam a ser tão intensas que tornam-se incapacitantes, um impedimento para o bem-estar”, afirma Penna. “Sentir dores no período menstrual não é algo normal, embora muitos vejam desse modo, e devem ser observadas caso sejam progressivas, aumentando de frequência ou intensidade durante o tempo”.

Tratamento

O melhor procedimento para a doença depende dos sintomas apresentados. Em alguns casos, bastam tratamento clínicos temporários, à base de anticoncepcionais, por exemplo.

Entretanto, quando é necessária uma intervenção mais ativa, o recomendado é fazer a cirurgia, que consiste na retirada do endométrio dos locais que não o útero.

Ainda assim, como o ciclo menstrual continua, a mulher pode voltar a desenvolver endometriose mesmo após uma cirurgia. “A única cura para a endometriose é a menopausa”, esclarece Penna.

Reprodução

Para as mulheres que sabem possuir endometriose e desejam engravidar, o recomendável é o congelamento dos óvulos, para posterior fertilização in vitro. Como o tratamento é cirúrgico, pode-se perder o ovário, o que inviabilizaria uma fecundação natural.

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