Saúde África

Projeto na Tanzânia integra reciclagem do lixo a melhorias na saúde

Em umas da regiões mais pobres e de saúde mais precária do planeta, executivo cria negócio que troca lixo plástico por planos de saúde.

  • mas infoACOMPAÑA CRÓNICA: COLOMBIA CHIKUNGUÑA BOG01. CARTAGENA (COLOMBIA), 17/01/2015.- Fotografía del 15 de enero de 2015 en la que se aprecia una de las salas de atención de la Fundación Hospital Infantil Napoleón Franco Pareja en Cartagena, norte de Colombia, donde se lidera la investigación sobre el virus del chikunguña, originario de África, provocado por la picadura de mosquitos, que se ha extendido por el turístico Caribe colombiano, donde las autoridades sanitarias alertan de una pandemia con gran impacto si no se adoptan medidas urgentes. EFE/RICARDO MALDONADO ROZOFoto: Ricardo Maldonado Rozo/EFE.Foto: Ricardo Maldonado Rozo/EFE.
Foto: Ricardo Maldonado Rozo/EFE.

Já imaginou se fosse possível trocar o lixo que descartamos todos os dias por um plano de saúde para nossos filhos? Parece impossível, mas essa é a oferta de uma empresa que está ajudando a acabar com os milhares de quilos de resíduos acumulados nas ruas da Tanzânia, país situado na África Subsaariana, uma das regiões mais precárias do planeta.

Em uma nação com produção diária de quatro mil toneladas de lixo, sendo que 40% é plástico, o tanzaniano Christian Mwijage decidiu empreender em um negócio que está servindo para conscientizar a sociedade sobre o cuidado com o meio ambiente. A ideia funciona da seguinte maneira: o cidadão fornece, por semana, seis quilos de lixo plástico, recebe, em troca, um ano de seguro médico para uma criança.

O projeto está melhorando o bem-estar em um país onde a saúde não é gratuita e as famílias mais humildes não podem pagar pelas despesas médicas mais básicas, o que faz com que muitas crianças morram por doenças que poderiam ser prevenidas. Além disso, a precariedade das condições sanitárias do país é mais um fator que prejudica a saúde da população.

“Achamos que o lixo pode ter um impacto positivo na comunidade”, disse à Agência Efe Mwijage, diretor-executivo da EcoAct, empresa, responsável pelo projeto, que ganhou o prêmio anual de empreendimento do Fórum de Finanças e Investimento na África (AFIF, em sua sigla em inglês).

Recolhimento

A troca ocorre por meio de um acordo com as famílias que recolhem os resíduos de plástico das ruas de assentamentos informais. Posteriormente, uma equipe da EcoAct retira e processa o lixo destinado à reciclagem. Também existem pontos de recolhimento em diferentes bairros de Dar el Salam, a maior cidade do país, onde grupos de mulheres e jovens colaboram na coleta de resíduos.

Em troca de uma contribuição de seis quilos de plástico por semana, a empresa proporciona um seguro médico para uma das crianças da família durante um ano. Se conseguir coletar mais resíduos, têm a possibilidade de estender a cobertura médica a outros menores.

A iniciativa, que começou nos últimos meses, está sendo bem recebida pela comunidade, razão pela qual agora os idealizadores tentam buscar mais investimento para crescer e oferecer a troca a muitas outras famílias que já mostraram interesse, explicou Mwijage. Desta maneira, destacou, surgem mudanças na atitude da comunidade com o meio ambiente e melhoras na gestão dos resíduos para conseguir a eliminação do plástico das ruas do país.

Reciclagem e “aprendizagem verde”

Boa parte do lixo recolhido é transformado em madeira plástica, um material de construção e fabricação de móveis de alta durabilidade. “É um produto alternativo à madeira forte, mais durável, mais barato e sustentável em nível ambiental, do qual se pode tirar benefícios enquanto ajudamos a salvar as florestas da Tanzânia”, reforçam os representantes da EcoAct.

Outro dos projetos que foi iniciado é o “Green Learning” (Aprendizagem verde, em inglês), com o qual pretende-se fabricar carteiras escolares com o material reciclado, para distribuí-las pelas salas de aula do país, onde grande parte dos alunos estudam sentados no chão. “O governo oferece desde o ano passado educação secundária gratuita. Agora há muitos estudantes no país, mas não têm onde sentar”, declarou Mwijage.

Segundo dados da EcoAct, cerca de 95 milhões de crianças vivem igual situação nas salas de aula na África Subsaariana, o que influencia em seu rendimento e concentração. Com escrivaninhas e cadeiras onde podem se sentar, os alunos sentem a “dignidade” e a “inspiração” necessárias para desenvolver suas mentes, nutrir seus talentos e transformar-se em cidadãos responsáveis na comunidade.

Após ter vendido algumas destas carteiras ecológicas, Mwijage antecipou que agora negocia com o governo tanzaniano para colocá-las nas escolas públicas do país. “A educação é essencial para construir uma comunidade que possa progredir”, finalizou o tanzaniano, que acredita que a conscientização das novas gerações permite melhorar a gestão dos resíduos urbanos, problema ambiental contra o qual luta grande parte das principais cidades do continente africano.

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