PESQUISAS MÉDICAS

Estudo revela como funciona aprendizagem por observação

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) analisaram os neurônios individuais, responsáveis por processar a aprendizagem por observação, em estudo que foi publicado na revista “Nature Communications”.

  • Foto: Stock.Xchng/DivulgaçãoFoto: Stock.Xchng/Divulgação
Foto: Stock.Xchng/Divulgação

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) analisaram os neurônios individuais, responsáveis por processar a aprendizagem por observação, em estudo que foi publicado na revista “Nature Communications”.

Essa pesquisa, conduzida por uma equipe de neurocientistas da UCLA e do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), registrou a atividade dos neurônios individuais com o objetivo de descobrir como o cérebro humano processa a aprendizagem por observação.

Segundo o diretor do estudo, Michael Hill, eles conseguiram “superar diferentes níveis da neurociência, começando pelo nível mais abstrato dos modelos computacionais, que encontramos refletidos na atividade dos neurônios individuais, passando pelo comportamento humano até a interação humana”.

Atividade neuronal monitoradora

No teste, os especialistas registraram a atividade dos neurônios individuais através de eletrodos implantados no cérebro de dez pacientes que sofrem de epilepsia enquanto jogavam cartas.

Durante o jogo, a informação registrada pelos eletrodos refletia a alteração do comportamento neuronal, baseado no que os pacientes aprendiam ao observar os outros jogadores.

Quando os sujeitos observavam o comportamento dos outros jogadores, os neurônios individuais de seus cérebros codificavam uma linguagem de aprendizagem complexa, desenvolvido originalmente nos campos de inteligência artificial e aprendizagem automática.

“É incrível ver os neurônios no interior do cérebro humano realizando estes complexos cálculos a partir dos testes e erros de outras pessoas”, comentou Hill.

Quando outra pessoa pegava uma carta, a atividade dos neurônios já tinha predito o resultado mais provável, baseando-se nos resultados dos testes anteriores. Depois que o resultado foi revelado, os mesmos neurônios codificaram a divergência entre o resultado e seu prognóstico original.

A combinação destes parâmetros pode ser utilizada pelo cérebro para aprender com a experiência de outras pessoas e seus erros, com o objetivo de ajustar seu comportamento de forma consequente.

Neurônios invejosos 

Durante a pesquisa, Hill e seus colegas também descobriram o comportamento dos denominados neurônios “schadenfreude”. Quando jogamos com outras pessoas, como no caso das cartas, experimentamos prazer quando ganhamos, mas também sentimos o “schadenfreude”, palavra alemã que significa o prazer derivado do fracasso alheio.

Segundo os resultados do estudo, quando o sujeito em questão ganhava e os outros jogadores perdiam, a atividade deste tipo de neurônio aumentava, e quando o sujeito perdia ou outros jogadores ganhavam, essa atividade descia.

“Obviamente, não sabemos o que significa exatamente o que estes neurônios codificam, no entanto, é fascinante ver algo como o ‘schadenfreude’ refletido na atividade de neurônios individuais no cérebro humano” acrescentou o neurocientista.

A comunidade científica já tinha descoberto a existência de três áreas principais do cérebro envolvidas na aprendizagem social, a amídala, a crosta pré-frontal medial, e a crosta cingulada anterior.

No entanto, explicou o diretor do estudo, desta vez “os dois tipos de respostas foram encontrados na área do cérebro denominada crosta cingulada anterior, e não nas outras duas partes em que também registramos dados”.

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