NEURÔNIOS

Padrões genéticos diferentes podem resultar em novos neurônios

A dois passos do paraíso científico: pesquisadores descobrem padrões genéticos que servirão para construir neurônios

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Padrões genéticos diferentes podem resultar em novos neurônios

Uma equipe internacional de pesquisadores demonstrou que é possível construir um neurônio com dois códigos genéticos diferentes, o que contribuirá para o avanço das pesquisas das doenças causadas pela degeneração dos neurônios, como a demência e o Alzheimer.

O trabalho, publicado na revista “Plos Biology”, foi dirigido pelo médico Jonathan Benito-Sipos, do Departamento de Biologia da Universidade Autônoma de Madri (UAM), em parceria com pesquisadores da Universidade de Linköping, na Suécia.

Cérebro, essa intrincada rede

O cérebro humano tem cerca de 100 bilhões de neurônios, de 10 mil tipos diferentes, que se ligam no lugar adequado como um quebra-cabeças para formar a complexa e intrincada rede neuronal que nosso cérebro usa para transmitir informação, adquirir conhecimento e conduzir nossas emoções.

Mas com o tempo os neurônios, como qualquer célula do corpo, se deterioram, o que pode causar algumas das doenças mais devastadoras que se conhecem, como demência, Alzheimer, que destrói o circuito de memórias, e Parkinson, que acaba com os movimentos.

“Nossa intenção ao trabalhar com células-tronco é tentar substituir essas células danificadas pelas doenças neurodegenerativas por outras novas, geradas a partir de células-tronco e reintegrá-las à rede neuronal”, explicou o médico Benito-Sipos.

“Quanto mais soubermos sobre como os neurônios são criados, mais fácil será manipular células-tronco com esse fim”.

Fabricação

Mas como os neurônios são fabricados pelo cérebro? Para gerar uma destas células é preciso um plano e um código de genes que guie a construção, a montagem e o acabamento de cada uma delas.

Há anos os cientistas tentam decifrar estes complexos, misteriosos e enigmáticos ‘códigos genéticos’, com a intenção de encontrar métodos alternativos para substituir às células que morrem ou estragam.

Para isso, os pesquisadores utilizam células-tronco e tentam programá-las para que ‘fabriquem’ neurônios.

Monitorando células-tronco

Utilizando modelos da mosca da fruta (Drosophila melanogaster), esta equipe de cientistas monitorou as células-tronco para ver que tipo de células geram, até chegar à diferenciação delas para neurônios.

“Queremos saber como se constrói um sistema nervoso, ver como a partir de células-tronco são gerados neurônios específicas”.

Para isso, eles estão ‘vigiando’ os marcadores de neurônios específicos da medula espinhal da mosca, que tem 10 mil neurônios, e a partir deles buscam uma população muito específica que só se expressa em dez ou vinte neurônios (chamados Nplp1) para ver quais células-mãe os geram.

“Vimos que duas células-tronco, com diferente potencial, diferente capacidade e diferentes competências, podem gerar o mesmo tipo de neurônio através de dois caminhos diferentes que no final convergem em um só código, que é o que desencadeia a identidade própria desse neurônio”, acrescentou Benito-Sipos.

O estudo conseguiu um grande avanço ao mostrar como através de dois códigos diferentes (dois planos de construção diferentes) podem chegar a um mesmo destino neuronal.

“A transcendência destes resultados é patente. Por um lado, dá conta da enorme complexidade do maquinário da vida e, por outro, abre um novo caminho para explorar novas combinações de genes que nos levem ao caminho que desejamos: a saúde”, conclui Benito-Sipos, diretor do trabalho.

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Publicado em Ciência Médica

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