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Antonio Hebert Lancha Jr

“Nutrição está caminhando pela fé e não pela ciência”

O presidente do Congresso da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, Antonio Hebert Lancha Jr. EFE/FERNANDO BIZERRA JR. O presidente do Congresso da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição, Antonio Hebert Lancha Jr. EFE/FERNANDO BIZERRA JR.

Problemas com adaptação de hábitos alimentares e crença em mitos nutricionais têm preocupado organizações de saúde alimentar no Brasil, explicou o presidente do Congresso da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), Antonio Hebert Lancha Jr.

Para Lancha Jr. a nutrição deve tentar desmistificar a má fama de alguns produtos, levantando a bandeira da dieta como modo de vida e não como restrição.

“Toda postura em cima de crenças vive entre o certo e errado, mas a ciência não”, disse em entrevista à EFE Lancha Jr., que também criticou a disseminação de estudos com interpretações regionalizadas, que podem espalhar pânico “desnecessário” da população em relação aos próprios hábitos alimentares.

“Muitas vezes, uma informação incompleta desinforma a sociedade, que acaba tendo mais informação enviesada do que àquealas cientificamente comprovadas. Um exemplo disso é a sucralose, que se transforma em caramelo a 120°C e assim pode causar câncer, mas ninguém consome sucralose a essa temperatura”, exemplificou.

Para o professor de nutrição na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, é necessário que a ciência relacione seus estudos com a aplicação prática e diária, se não a informação “desinforma a sociedade”.

Lancha Jr. lembrou de um estudo em uma revista científica da área que correlacionou positivamente o consumo de chocolate com o número de prêmios Nobel que existiam em cada país, sendo o com mais premiações aquele que mais consumia o doce, o que, de acordo com ele, ignora condições externas das regiões como clima, agentes dispersivos e tradição de ciência.

“Para enxergar a alimentação como ferramenta da saúde é preciso entender a questão cultural, se não, faremos abordagens levianas de classificar o alimento apenas como carboidrato, lipídeo ou mineral, e ele é muito mais que isso. A comida é nosso primeiro contato com o meio externo, o sabor do leite materno, é muito ligada às questões afetivas”, indicou à EFE.

O especialista defende que o comportamento alimentar é “100% afeto” e, por isso, muitos profissionais da saúde se distanciam dos pacientes na hora de falar das dietas, gerando “mitos” especialmente os associados a adoçantes, açúcares e óleos.

“Existe uma ‘mea culpa’ dos profissionais da ciência e os da saúde também em relação aos blogueiros, que fazem uma comunicação horizontal, falam a mesma língua que todos, já os cientistas ficam travados atrás de seu avental e criam uma barreira e a mudança de postura é fundamental”, continuou.

Sobre dietas restritivas, o professor argumenta que, cientificamente, “fazer dieta engorda, porque ela não ataca a causa, emagrecer passa por uma mudança de comportamento e, sem mudar, nada vai acontecer já que a comida está associada ao prazer”.

“Comer traz uma recompensa muito poderosa, porque a sensação derivada do alimento é rápida. O sabor é poderoso, então a solução é não associar a proibição como caminho. Imposição e restrição não funcionam”, destacou.

O presidente do Congresso da SBAN, que aconteceu entre 29 e 31 de agosto, em São Paulo, também avaliou o papel das organizações e da Sociedade em tentar desmistificar “mitos” atrelados aos alimentos e desfazer as crenças.

“Se espera que a SBAN tenha um posicionamento de entregar para a sociedade o que ela busca em termos de segurança do alimento, sem o risco que muitos acabam associando a determinados produtos e os difamando sem uma base cientifica”, afirmou.

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Problemas com adaptação de hábitos alimentares e crença em mitos nutricionais têm preocupado organizações de saúde alimentar no Brasil, explicou o presidente do Congresso da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), Antonio Hebert Lancha Jr.

Para Lancha Jr. a nutrição deve tentar desmistificar a má fama de alguns produtos, levantando a bandeira da dieta como modo de vida e não como restrição.

“Toda postura em cima de crenças vive entre o certo e errado, mas a ciência não”, disse em entrevista à EFE Lancha Jr., que também criticou a disseminação de estudos com interpretações regionalizadas, que podem espalhar pânico “desnecessário” da população em relação aos próprios hábitos alimentares.

“Muitas vezes, uma informação incompleta desinforma a sociedade, que acaba tendo mais informação enviesada do que àquealas cientificamente comprovadas. Um exemplo disso é a sucralose, que se transforma em caramelo a 120°C e assim pode causar câncer, mas ninguém consome sucralose a essa temperatura”, exemplificou.

Para o professor de nutrição na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, é necessário que a ciência relacione seus estudos com a aplicação prática e diária, se não a informação “desinforma a sociedade”.

Lancha Jr. lembrou de um estudo em uma revista científica da área que correlacionou positivamente o consumo de chocolate com o número de prêmios Nobel que existiam em cada país, sendo o com mais premiações aquele que mais consumia o doce, o que, de acordo com ele, ignora condições externas das regiões como clima, agentes dispersivos e tradição de ciência.

“Para enxergar a alimentação como ferramenta da saúde é preciso entender a questão cultural, se não, faremos abordagens levianas de classificar o alimento apenas como carboidrato, lipídeo ou mineral, e ele é muito mais que isso. A comida é nosso primeiro contato com o meio externo, o sabor do leite materno, é muito ligada às questões afetivas”, indicou à EFE.

O especialista defende que o comportamento alimentar é “100% afeto” e, por isso, muitos profissionais da saúde se distanciam dos pacientes na hora de falar das dietas, gerando “mitos” especialmente os associados a adoçantes, açúcares e óleos.

“Existe uma ‘mea culpa’ dos profissionais da ciência e os da saúde também em relação aos blogueiros, que fazem uma comunicação horizontal, falam a mesma língua que todos, já os cientistas ficam travados atrás de seu avental e criam uma barreira e a mudança de postura é fundamental”, continuou.

Sobre dietas restritivas, o professor argumenta que, cientificamente, “fazer dieta engorda, porque ela não ataca a causa, emagrecer passa por uma mudança de comportamento e, sem mudar, nada vai acontecer já que a comida está associada ao prazer”.

“Comer traz uma recompensa muito poderosa, porque a sensação derivada do alimento é rápida. O sabor é poderoso, então a solução é não associar a proibição como caminho. Imposição e restrição não funcionam”, destacou.

O presidente do Congresso da SBAN, que aconteceu entre 29 e 31 de agosto, em São Paulo, também avaliou o papel das organizações e da Sociedade em tentar desmistificar “mitos” atrelados aos alimentos e desfazer as crenças.

“Se espera que a SBAN tenha um posicionamento de entregar para a sociedade o que ela busca em termos de segurança do alimento, sem o risco que muitos acabam associando a determinados produtos e os difamando sem uma base cientifica”, afirmou.

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